Claudia Paim foi professora na Universidade Federal do Rio Grande – FURG, doutora em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Seus trabalhos percorrem diferentes linguagens do campo artístico, como a produção em vídeo, instalações, performance, desenho, arte sonora, ação urbana, fotografia, objetos e poesia.

 

 

 




 

 

Homenagem In Memoriam

 

      Recentemente perdemos uma artista muito querida em nosso meio, Claudia Paim  - uma artista que deixa não somente o legado de sua obra singular, mas também a marca de seu temperamento amoroso, de sua alegria e coragem - a fibra de um saber-viver intenso.

 

 

      Cláudia foi uma artista dedicada à investigação e à pesquisa sobre o CORPO_PAISAGEM: um corpo que se dispersa pelo mundo e se funde com a natureza, em sua fragilidade e resistência.

      Em ações silenciosas e solitárias, Claudia mergulhava nas coisas indizíveis que advinham de certas sutilezas cotidianas, como o ruído das conchas que lascam sob os pés; o murmúrio da voz que se mistura com o ruído borbulhante da água. Somos todos Corpo-ÁguaCorpo-PedraCorpo-Terra.

      Dias antes de sua partida, Claudia Paim escreveu o seguinte poema, refletindo um sentimento sereno e sábio sobre vida & morte; a certeza, por fim, de sentir o fluxo da natureza em si:

 

 

A água represada reflete o mundo

E transborda silenciosa e implacável.

Onipotente tudo vence. Sem pressa.

Puro mover em sua quase foto. Suspiro universal.

 

As cachoeiras avançam graves, mas sem gravidade

Ou quase leves. Só densidade.

Densidade e silêncio. 

Lentidão geológica.

A pedra e a água são uma só.

 

O corpo é mero espaço onde a novela segue

Puro espaço sem drama nem mal

Onde as pequenas mazelas são ridículas

Os épicos sem sentido e roucos.

O templo da pele é caiado pelo tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto de Dione Veiga Vieira